Número de casos confirmados de dengue esse ano já é maior que 2018

04/04/2019 11:11
UFSC-Contra-o-Aedes

Logotipo da campanha “UFSC contra o Aedes!”. (Foto: Reprodução UFSC contra Aedes).

Por Julia Breda (jub.nobre@gmail.com) / Estágiária de Jornalismo

O número de casos confirmados de dengue no primeiro trimestre de 2019 em Santa Catarina já é maior que o total de 2018: de 60 casos no ano inteiro, o número aumentou para 85 casos, do final de dezembro à março deste ano. Os dados são do boletim da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE-SC) divulgado nesta sexta-feira (1). A maioria dos casos (59) foi autóctone – ou seja, foi contraído dentro do próprio estado.

No ano passado, haviam 7 casos de dengue confirmados no estado de Santa Catarina, entre 30 de dezembro à 23 de março. Em comparação, esse ano, só em Florianópolis esse número já é maior: são 8 casos autóctones e 5 importados de outros estados.

A dengue é uma doença infecciosa causada por um arbovírus, e é um dos principais problemas de saúde pública no mundo. Ela é transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectado. A infecção por esse vírus pode ser assintomática ou sintomática. Quando sintomática, sua primeira manifestação é a febre alta (39° a 40° C) de início abrupto, com duração de 2 a 7 dias, associada à dor de cabeça, fraqueza, a dores no corpo, nas articulações e no fundo dos olhos. Manchas pelo corpo estão presentes em 50% dos casos, podendo atingir face, tronco, braços e pernas. Perda de apetite, náuseas e vômitos também podem estar presentes. A infecção varia de formas mais leves até quadros graves, podendo evoluir para o óbito nesses casos.¹

O Aedes aegypti pode transmitir, além da dengue, febre de chikungunya e zika vírus. A fêmea do mosquito deposita até 100 ovos nas paredes internas de recipientes que possam acumular água (por isso são chamados de possíveis focos). Ela escolhe mais de um local para depositá-los, o que possibilita que nasçam insetos de vários recipientes no mesmo ambiente. Nesses locais, os ovos podem durar até um ano e meio. Em contato com a água, os ovos desenvolvem-se rapidamente em larvas, que dão origem às pupas. Delas, surge o adulto num ciclo de, aproximadamente, 7 dias.

Os locais mais comuns de focos do Aedes são pneus sem uso, latas, garrafas, pratos dos vasos de plantas, caixas d’água descobertas, calhas, piscinas e vasos sanitários sem uso. A fêmea do mosquito pode, também, depositar seus ovos nas paredes internas de bebedouros de animais e em ralos desativados, lajes e em plantas como as bromélias. O número de focos do mosquito Aedes aegypti aumentou de 6.352, entre 30 de dezembro à 23 de março de 2018, foi para 10.139, no mesmo período desse ano.

Por isso, a Coordenadoria de Gestão Ambiental realiza campanhas durante o ano, dentro do projeto “UFSC contra o Aedes”. O trabalho é de vigilância, já que a Coordenadoria recebe denúncias de possíveis focos do mosquito na Universidade, e de prevenção, por meio de cartazes, posts nas redes sociais, e divulgação dos boletins epidemiológicos realizados pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica.

A DIVE-SC realiza operações de campo, com visitas em pontos estratégicos, domicílios e armadilhas –  depósitos com água instalados por agentes da Diretoria em locais propícios à chegada do Aedes aegypti, de forma a atrair as fêmeas do vetor para a postura dos ovos e indicar se há presença do mosquito no local –, com foco nas ações de vigilância e controle do vetor. Quando a região é considerada infestada, as ações de vigilância dão lugar às ações de controle.

Abaixo, seguem algumas dicas da DIVE para a prevenção da proliferação do Aedes:

  • Evite usar pratos nos vasos de plantas. Se usar, coloque areia até a borda;
  • Guarde garrafas com o gargalo virado para baixo;
  • Mantenha lixeiras tampadas;
  • Deixe os tanques utilizados para armazenar água sempre vedados, sem qualquer abertura, principalmente as caixas d’água;
  • Plantas como bromélias devem ser evitadas, pois acumulam água.
  • Trate a água da piscina com cloro e limpe-a uma vez por semana;
  • Mantenha ralos fechados e desentupidos;
  • Lave com escova os potes de comida e de água dos animais, no mínimo uma vez por semana;
  • Retire a água acumulada em lajes;
  • Limpe as calhas, evitando que galhos ou outros objetos impeçam o escoamento adequado da água;
  • Dê descarga, no mínimo uma vez por semana, em vasos sanitários pouco usados e mantenha a tampa sempre fechada;
  • Evite acumular entulho, pois podem se tornar criadouros do mosquito.

Se você encontrar algum possível foco de mosquitos Aedes aegypti dentro da UFSC, avise a Coordenadoria de Gestão Ambiental: ligue para 3721-4202. Ou mande um e-mail para: evitedengue@contato.ufsc.br. Para conferir o vídeo de conscientização contra o Aedes, feito em parceria com o canal humorístico Nois Faria, clique aqui.

Caso encontre possíveis focos fora da Universidade, avise a DIVE-SC: 3664-7400. Ou por e-mail: dive@saude.sc.gov.br.

Fonte:

Diretoria de Vigilância Epidemiológica. DIVE-SC. Disponível em: <http://www.dive.sc.gov.br/>. Acesso em: 04 abr. 2019.